Morto o Socialismo. Viva o Socialismo.

O mundo está assistindo a morte do socialismo autoritário. Os países que acreditaram no controle da vida pelo Estado, pouco a pouco, vão aderindo ao capitalismo. As realizações das idéias de Marx, Lenin e Stalin estão sendo trocadas pela economia de mercado. Morto o Socialismo. Viva o Socialismo. A queda do muro de Berlim em vez de unificar, dividiu a humanidade entre os que acreditam que a exploração do homem pelo homem venceu e aqueles que ainda lutam por uma sociedade libertária, onde não exista a necessidade de um Poder autoritário para controlar a organização social.

O socialismo libertário, o anarquismo de Proudhon, Bakunin e Malatesta, é hoje a única alternativa de contestação ao sistema capitalista. Esta sempre foi a convicção da SOMA, uma terapia anarquista que busca garantir a originalidade e a autodeterminação das pessoas. A SOMA, combatendo todas as formas de autoritarismo, defende o prazer no amor, no trabalho, nas relações humanas. Isto só pode acontecer se o Poder for destruído, abolido de nossa vida. Por isso, depois de 20 anos trabalhando em todo o Brasil, chegou a hora da SOMA deixar de ser apenas uma atividade terapêutica para exercer também uma ação mais efetiva e prática na luta pela transformação política da sociedade.

Nós, somaterapeutas, acabamos de criar c Coletivo Anarquista Brancaleone, um grupo de ação direta nacional que quer mostrar que o socialismo não-autoritário é possível. Queremos ser uma opção contrária a este mundo que ecolheu como regra de convivência social o capitalismo, responsável pelo desequilíbrio ecológico que a humanidade tenta hoje evitar.

É importante ressaltar aqui que o Coletivo Brancaleone reúne os que praticam a verdadeira SOMA. Criada e desenvolvida por Rober to Freire, integrante deste coletivo, a SOMA continua pesquisando e documentando inovações, como a capoeira, tradicional luta libertária do povo brasileiro, definitivamente incorporada à terapia. Outro tipo de terapia, que também se denomina Soma, não tem pesquisa própria e se utiliza indevidamente da criação, das técnicas e das lutas que resultaram na SOMA que praticamos.

Assim como o. socialismo se purificou, a SOMA também radicalizou sua convicção no Anarquismo. O coletivo Brancaleone tem sua sede provisória nacional em Olinda, Pernambuco. No Alto da Sé está funcionando há um ano o Espaço Cultural Rabo de Arraia. A partir de agora, o Rabo de Arraia vai centralizar a organização do coletivo anarquista e as pesquisas da SOMA. Na casa moram somaterapeutas que estão experimentando uma vida comunitária alternativa, sem poder, sem comando, sem opressão.

O Brancaleone vai desenvolver no Rabo de Arraia várias atividades ainda este ano. Em pouco tempo, uma biblioteca especializada em assuntos ligados ao Anarquismo e a SOMA começará a funcionar na casa. No final de setembro, está programado um seminário sobre as experiências anarco-sindicalistas no Brasil desde o começo do século. Em outubro, um evento que terá como tema a Loucura, vai levar a discussão de novos e controversos conceitos sobre a doença mental.

Até o final do ano, o jornal do coletivo Brancaleone já deverá estar circulando em todo o País. O jornal será um veículo alternativo para informação e debate de questões que refletem todas as formas de autoritarismo. No começo do ano que vem, vai ser lançado um novo livro que sintetiza a teoria prática da SOMA. O Brancaleone não para aí. A ECO 92 deve movimentar o mundo e um livro sobre ecologia está em produção. Queremos mostrar que ecologia sem anarquismo é como amor sem liberdade: não existe.

Estamos pegando o trem da história. Destino: uma sociedade mais livre. Aqui e Agora: Anarquista.


Ilhabela, julho 91

Coletivo Anarquista Brancaleone  (Ivone Menegotti, João da Mata, Jorge Goia, Luís Geraldo da Silva, Ricardo Miranda, Roberto Freire e Rui Takeguma)